MINISTÉRIO DA CULTURA VALORIZA A CULTURA POPULAR
Divulgado o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel
Foi divulgado no último dia, 12 de novembro, o resultado do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel – Edição 2010. A iniciativa do Ministério da Cultura homenageou, nesta primeira edição, Patativa do Assaré.
Entre os habilitados estão o poeta Arievaldo Viana, com sua biografia de Leandro Gomes de Barros, Aderaldo Luciano, com sua tese Cordel: Visão e Revisão, e inúmeros criadores do Cordel, como os já consagrados Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Varneci Nascimento, João Gomes de Sá, Janduhy Dantas, Mestre Azulão, Luiz Gonzaga de Lima, Moreira de Acopiara, Gonçalo Ferreira da Silva, Antônio Barreto e José Honório da Silva.
Em São Paulo, ainda foram selecionados os poetas Pedro Monteiro, Josué Gonçalves, Aldy Carvalho, Cleusa Santo, Costa Senna, Cacá Lopes, Sebastião Marinho, Otávio Maia, além de Gregório Nicoló, diretor da editora Luzeiro. Outro selecionado foi o jornalista Assis Ângelo, autor de um livro sobre o repentista Pedro Bandeira.
De minha autoria foi selecionado o clássico em cordel O Conde de Monte Cristo, inscrito pela editora Nova Alexandria, da qual sou coordenador editorial.
A alvíssara me chegou por meio do pesquisador paraibano José Paulo Ribeiro, também ele premiado num projeto que será extensão de suas atividades em prol do cordel em seu estado.
Nota: Para pesquisar no Diário Oficial da união, é só clicar no link http://portal.in.gov.br/in e inserir as palavras-chave “Mais Cultura”, Cordel” ou “Patativa do Assaré”.
Do total de habilitados, 617, serão selecionadas 200 iniciativas.
Mais:
http://www.cultura.gov.br/site/2010/11/12/minc-divulga-habilitados-do-premio-mais-cultura-de-literatura-de-cordel/
INLEITÔ SABIDO
INLEITÔ SABIDO
Autor: Zé Peixoto
O texto abaixo é do poeta cearense Zé Peixoto, mais um talento do sopé da Chapada do Araripe, e mostra na poesia popular a realidade que, infelizmente acontece quando é época de eleição.
Seu Douto há trinta ano
“Acumpanho” o seu partido,
Ô qui chova ou faça só
Meu voto ta “dicidido”,
Apôis nunca fui du contra
Inté já perdi a conta
Das vêis qui tenho votado,
Posso inté sê chêi de móca,
Porém num sô tapioca
Pá virá pur ôto lado!
O meu avô já votava
No partido do sinhô,
O meu pai ainda vota,
Minha mãe sempre votô
Meus “irmão” e meus “cunhado”,
Vota tudo declarado,
Num jogo limpo e aberto
Minhas “tia” e meus “tio”
Minha muié e meus “fio”
Tombem vota tudo certo.
Se chegá na minha casa
Argúem do “ôto” partido,
Mintino, pidindo voto
Eu num vou dá nem uvido,
Pedir voto em minha casa
É querê vuá sem asa
É jogá o tempo fora,
Pedi voto e leva vara,
Eu bato a porta na cara
E boto pra ir s’embora.
Mas Douto! O sinhô sabe
A gente tem precisão!
E só ganha “arguma” coisa
No tempo das “inleição”
Apôis Doutô eu queria:
Um VISTIDO pra Maria,
Um SAPATO pra Rumêu,
Uma “BRUSA” pra Zabé
Umas “CARÇA” pra Juzé
E um CHINELO prá eu.
Tombém queria: um TERRENO,
Duas CARRADA DE AREIA,
Três “MIÊIRO” DE TIJOLO,
Umas MIL e PÔCAS “TÊIA”
Quinze “SACO” DE CIMENTO,
Duas ou três PORTA pra dentro,
Trinta “CAIBO”, cinco LINHA,
Oitenta RIPA decente
Tombém a PORTA DA FRENTE
E mais uma prá COZINHA.
Ficaria “agardecido”
Tombém se o Sinhô me desse:
Umas DEZ BARRA DE FERRO,
As PÉDRA pro “Alisséssi”
A CAIXA D’AGUA, a BACIA,
A DISCARGA, o ESPÊI, a PIA,
A TORNÊRA e o CHUVÊRO,
E se num for pedí dimais
MIL E QUINHENTOS REAIS,
Módi eu pagá o PEDREIRO.