13 março
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Antologia do Cordel Brasleiro

Sábado, 17 de março, todos estão convidados para o lançamento do livro Antologia do Cordel Brasileiro (Global Editora). O evento, que contará com um sarau, ocorrerá na  Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho, 915. Além de mim, autor-organizador, o livro será autografado por Pedro Monteiro, autor de João Grilo, um presepeiro no palácio, romance picaresco que integra  a antologia.
Abaixo, o release assinado pelo jornalista Guilherme Loureiro:
ANTOLOGIA DO CORDEL BRASILEIRO
Organização de Marco Haurélio
Um passeio pelo que de melhor foi – e é – feito por grandes
cordelistas brasileiros é o que se oferece neste livro        
A Global Editora, mantendo seu firme propósito de publicar temas ligados à brasilidade, leva a literatura de cordel mais uma vez às livrarias. Sob a organização do poeta, cordelista e pesquisador da cultura popular brasileira Marco Haurélio, Antologia do cordel brasileiro chega ao catálogo da editora.
          Para os envolvidos e estudiosos do assunto, são notórias a dúvida e as discussões acerca da origem do cordel. De onde veio? Como surgiu? Quando foi seu início? O que se sabe com segurança é que a literatura de cordel é uma arte cada vez mais presente e manifestada nas feiras e praças não só do Nordeste como também em outras regiões do Brasil.
          Marco Haurélio coligiu os textos desta antologia de maneira que o resultado mostrasse ao leitor quanto está apurada a literatura de cordel no Brasil. Os textos que compõem a coletânea são assinados por cordelistas de diferentes gerações. A obra é totalmente ilustrada com xilogravuras de Erivaldo, um dos nomes mais representativos dessa arte e o responsável por mais de uma centena de ilustrações em livros e folhetos de cordel.
          Como não poderia deixar de ser, Leandro Gomes de Barros, considerado por muitos o pioneiro deste gênero, abre o livro com o cordel “O soldado jogador”. Também estão presentes na Antologia do cordel brasileiro histórias de José Pacheco, Manoel D’Almeida Filho, Antônio Teodoro dos Santos, Francisco Sales Arêda e Manoel Pereira Sobrinho. A força da atual geração de cordelistas é verificada nos textos de Pedro Monteiro,  Rouxinol do Rinaré, Arievaldo Viana, Evaristo Geraldo da Silva e Klévisson Viana, entre outros.
Nesta obra, o leitor terá acesso a um conjunto variado de cordéis, desde aqueles inspirados no conto maravilhoso, ou conto de fadas, como outros em que predominam mitos da Grécia Antiga e até alguns que deitam raízes nas histórias de animais.
Marco Haurélio chama a atenção do leitor para a importância desta antologia por ser a primeira a apresentar autores de todas as gerações do cordel no Brasil: “Os poetas contemporâneos, em especial, quase sempre são deixados de lado pelos estudiosos, que se embaraçam na busca pelas origens do cordel, ou se perdem no labirinto de obviedades dos que confundem este gênero com a poesia matuta ou com o canto improvisado dos repentistas”.
Diferente do que muitos pensam, a literatura de cordel está cada vez mais viva e, nos últimos anos, tem ultrapassado a fronteira dos folhetos e dos livros. Prova disso é a sua presença marcante em diferentes manifestações artísticas. Em 2011, a telenovela Cordel Encantado, veiculada pela Rede Globo, obteve índices consideráveis de audiência. Neste ano de 2012, no Carnaval do Rio de Janeiro, a tradicional escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, representada pelas cores vermelho e branco, levará à Marquês de Sapucaí o tema “Cordel Branco e Encarnado”.
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Sobre o organizador: Marco Haurélio, poeta popular baiano, professor, folclorista e editor, é um dos nomes de maior destaque na literatura de cordel da atualidade. Ministra oficinas e palestras sobre cordel e cultura popular em todo o Brasil. É autor de vários livros para adultos e crianças. Pela Global Editora, publicou Meus romances de cordel, uma coletânea de suas melhores composições.
13 novembro
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MINISTÉRIO DA CULTURA VALORIZA A CULTURA POPULAR

Divulgado o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel
Foi divulgado no último dia, 12 de novembro, o resultado do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel – Edição 2010. A iniciativa do Ministério da Cultura homenageou, nesta primeira edição, Patativa do Assaré.

Entre os habilitados estão o poeta Arievaldo Viana, com sua biografia de Leandro Gomes de Barros, Aderaldo Luciano, com sua tese Cordel: Visão e Revisão, e inúmeros criadores do Cordel, como os já consagrados Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Varneci Nascimento, João Gomes de Sá, Janduhy Dantas, Mestre Azulão, Luiz Gonzaga de Lima, Moreira de Acopiara, Gonçalo Ferreira da Silva, Antônio Barreto e José Honório da Silva.

Em São Paulo, ainda foram selecionados os poetas Pedro Monteiro, Josué Gonçalves, Aldy Carvalho, Cleusa Santo, Costa Senna, Cacá Lopes, Sebastião Marinho, Otávio Maia, além de Gregório Nicoló, diretor da editora Luzeiro. Outro selecionado foi o jornalista Assis Ângelo, autor de um livro sobre o repentista Pedro Bandeira.

De minha autoria foi selecionado o clássico em cordel O Conde de Monte Cristo, inscrito pela editora Nova Alexandria, da qual sou coordenador editorial.

A alvíssara me chegou por meio do pesquisador paraibano José Paulo Ribeiro, também ele premiado num projeto que será extensão de suas atividades em prol do cordel em seu estado.

Nota: Para pesquisar no Diário Oficial da união, é só clicar no link http://portal.in.gov.br/in e inserir as palavras-chave “Mais Cultura”, Cordel” ou “Patativa do Assaré”.

Do total de habilitados, 617, serão selecionadas 200 iniciativas.
Mais:

http://www.cultura.gov.br/site/2010/11/12/minc-divulga-habilitados-do-premio-mais-cultura-de-literatura-de-cordel/

28 setembro
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INLEITÔ SABIDO

INLEITÔ SABIDO
Autor: Zé Peixoto

O texto abaixo é do poeta cearense Zé Peixoto, mais um talento do sopé da Chapada do Araripe, e mostra na poesia popular a realidade que, infelizmente acontece quando é época de eleição.

Seu Douto há trinta ano
“Acumpanho” o seu partido,
Ô qui chova ou faça só
Meu voto ta “dicidido”,
Apôis nunca fui du contra
Inté já perdi a conta
Das vêis qui tenho votado,
Posso inté sê chêi de móca,
Porém num sô tapioca
Pá virá pur ôto lado!

O meu avô já votava
No partido do sinhô,
O meu pai ainda vota,
Minha mãe sempre votô
Meus “irmão” e meus “cunhado”,
Vota tudo declarado,
Num jogo limpo e aberto
Minhas “tia” e meus “tio”
Minha muié e meus “fio”
Tombem vota tudo certo.

Se chegá na minha casa
Argúem do “ôto” partido,
Mintino, pidindo voto
Eu num vou dá nem uvido,
Pedir voto em minha casa
É querê vuá sem asa
É jogá o tempo fora,
Pedi voto e leva vara,
Eu bato a porta na cara
E boto pra ir s’embora.

Mas Douto! O sinhô sabe
A gente tem precisão!
E só ganha “arguma” coisa
No tempo das “inleição”
Apôis Doutô eu queria:
Um VISTIDO pra Maria,
Um SAPATO pra Rumêu,
Uma “BRUSA” pra Zabé
Umas “CARÇA” pra Juzé
E um CHINELO prá eu.

Tombém queria: um TERRENO,
Duas CARRADA DE AREIA,
Três “MIÊIRO” DE TIJOLO,
Umas MIL e PÔCAS “TÊIA”
Quinze “SACO” DE CIMENTO,
Duas ou três PORTA pra dentro,
Trinta “CAIBO”, cinco LINHA,
Oitenta RIPA decente
Tombém a PORTA DA FRENTE
E mais uma prá COZINHA.

Ficaria “agardecido”
Tombém se o Sinhô me desse:
Umas DEZ BARRA DE FERRO,
As PÉDRA pro “Alisséssi”
A CAIXA D’AGUA, a BACIA,
A DISCARGA, o ESPÊI, a PIA,
A TORNÊRA e o CHUVÊRO,
E se num for pedí dimais
MIL E QUINHENTOS REAIS,
Módi eu pagá o PEDREIRO.