Arquivo da categoria: Cordel: Bullying – Uma Tortura Social

O canto do santo de casa virou cordel e música

Dizem que santo de casa não faz milagre

O Jornalista paraibano Antonio Carlos escreveu um texto denominado: O Canto do santo de casa e publicou na Revista Eletrônica Ritmo Melodia. Ao tomar conhecimento do mesmo, sugeri adaptar em cordel, assim nasceu o folheto de cordel batizado com o mesmo nome do artigo: O Canto do Santo de Casa.  A obra foi escrita em 24 estrofes em sextilha, publicada pela Rouxinol Rinaré Edições e lançada na Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP em 2019.

O texto reescrito em Cordel

Dizem que Santo de Casa

Nascido para brilhar,

Não obra, não faz milagre    

Nem reina em seu lugar,

Essa expressão da Bíblia

Virou “dito” popular.

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Longe da terra natal

O profeta é bem aceito,

Vivendo em sua aldeia       

Falta-lhe apoio, respeito.

O caminho do estrelato

É espinhoso e estreito.

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Milagre na sua terra

Santo de casa não faz!

Se brilha em outro canto    

Em casa não é capaz.

Mas se resultar-lhe a fama

O milagre é fugaz.

Cordéis que viraram músicas

O tema do cordel: O Canto do santo de casa trata da desvalorização e falta de incentivo privado e público para com o artista ou profissional de qualquer área em começo de carreira. E tem com inspiração o mote bíblico “Nenhum profeta é reconhecido em sua própria aldeia”.  O Canto do Santo de Casa  se tornou música de 8 minutos e 4 segundos, em ritmo de arrasta-pé. A melodia, a produção musical e interpretação é do paraibano Jailson Silva.  E que sabe um dia pode se tornar um roteiro para um curta-metragem.

Algumas músicas de longa duração

Três minutos é o tempo máximo para uma música que pretende virar hit radiofônico, segundo os especialistas e as próprias estatísticas. No entanto, muitas canções furaram as previsões e estouraram com uma duração maior do que essa. Faroeste Caboclo, da Banda Legião Urbana é um desses hits. Um misto de baião com sertanejo de raiz, com 9 minutos e 7 segundos, superando A Triste Partida, em duração. Faroeste Caboclo, não tem refrão e se tornou um clássico da música brasileira. A história de João de Santo Cristo virou até filme.

Outra música que surgiu a partir de um folheto de cordel é a toada “A Triste Partida” , que tem duração maior, com 9 minutos . Uma espécie de Vidas Secas no cordel, com 19 estrofes, escrita pelo poeta cearense Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva) e gravada em 1964 por outro grande nome da cultura nordestina, Luiz Gonzaga. A letra de “Triste Partida” retrata a falta da chuva, a dura decisão de deixar o sertão, a penosa recepção em São Paulo, Rio de Janeiro e Sudeste. E a perda da esperança de retornar para seu lugar de origem. Essa música antes de tornar sucesso na voz do Rei do Baião já era cantada nas feiras nordestinas pelos repentistas.

“Faroeste Caboclo” – Legião Urbana com 9 minutos e 7 segundos –  tocou nas rádios, mas como um exceção já que o padrão radiofônico era no máximo 3 minutos de duração para uma música se enquadrar e almejar se tornar sucesso, segundo os especialistas ou programadores da rádio. Mais de 3 minutos seria tida como inadequada para ser lançada como single por uma banda de rock. “Faroeste Caboclo” é um mix de baião, sertanejo raiz, rock, reggae sem refrão se tornou um sucesso e tem maior duração que “A Triste Partida”.  A história de João Santo Cristo virou até filme.

A torcida é para que “O Canto do Santo de Casa” possa ter o mesmo destino de outros sucessos, entre eles os citados na matéria. O poema traz verdades difíceis de serem ditas e relata uma realidade vivida por alguns profissionais que “não fazem milagres em casa” e partem para viverem outras realidade, e desafios em outras cidades.

CD CORDEL CANTADO

Novo trabalho de Cacá Lopres

A mais de trinta anos de estrada asfaltada pela poesia construída na força da música, Cacá Lopes traz a lume mais um CD, cujo foco está voltado para o chão maravilhoso da leitura e do saber. Esse trabalho é o registro de várias canções do Projeto Cordel nas Escolas: músicas já bastante conhecidas por alunos e professores da rede pública. Faz referência a personagens como João Grilo, Chicó, Raul Seixas e Gonzagão.  Além das músicas próprias, consta neste CD seus parceiros compositores: Costa Senna, Marco Haurélio, João Gomes de Sá, Dé Pajeú, Hamilton Catette, Sylvio Passos, Almino Henrique, Vavá Dias e Zé Peixoto. No repertório MPB com pitadas de xote, frevo, toada, martelo e poesia matuta.

O Álbum foi produzido pelo artista baiano Sapiranga e tem o projeto gráfico e artístico assinado pela designer Marina Machado. Cordel Cantado é um lançamento da Gravadora Cacimba Discos e foi lançado em primeira mão nas principais lojas online do mercado mundial (iTunes, DEEZER, Spotify e outras, sendo possível encontrar na internet para Download.

Para o cordelista Varneci Nascimento o cordel lido é maravilhoso. Cantado, revela ainda mais sua grandeza, que de tão esplêndida deixa-se moldar para nos enriquecer e encantar.

Sapiranga – Produzir um álbum para este artista é poder perceber quão grandiosa é a cultura popular nordestina e brasileira. Reconheço na obra de Cacá Lopes a sinergia entre Povo, Cultura e Arte. Sei que os traços dos seus versos estão aliados a popularidade e requinte que tem na poesia brasileira. Cacá Lopes um autêntico poeta e cantador.

CD CORDEL CANTADO

Antologia do Cordel Brasleiro

Sábado, 17 de março, todos estão convidados para o lançamento do livro Antologia do Cordel Brasileiro (Global Editora). O evento, que contará com um sarau, ocorrerá na  Livraria da Vila da rua Fradique Coutinho, 915. Além de mim, autor-organizador, o livro será autografado por Pedro Monteiro, autor de João Grilo, um presepeiro no palácio, romance picaresco que integra  a antologia.
Abaixo, o release assinado pelo jornalista Guilherme Loureiro:
ANTOLOGIA DO CORDEL BRASILEIRO
Organização de Marco Haurélio
Um passeio pelo que de melhor foi – e é – feito por grandes
cordelistas brasileiros é o que se oferece neste livro        
A Global Editora, mantendo seu firme propósito de publicar temas ligados à brasilidade, leva a literatura de cordel mais uma vez às livrarias. Sob a organização do poeta, cordelista e pesquisador da cultura popular brasileira Marco Haurélio, Antologia do cordel brasileiro chega ao catálogo da editora.
          Para os envolvidos e estudiosos do assunto, são notórias a dúvida e as discussões acerca da origem do cordel. De onde veio? Como surgiu? Quando foi seu início? O que se sabe com segurança é que a literatura de cordel é uma arte cada vez mais presente e manifestada nas feiras e praças não só do Nordeste como também em outras regiões do Brasil.
          Marco Haurélio coligiu os textos desta antologia de maneira que o resultado mostrasse ao leitor quanto está apurada a literatura de cordel no Brasil. Os textos que compõem a coletânea são assinados por cordelistas de diferentes gerações. A obra é totalmente ilustrada com xilogravuras de Erivaldo, um dos nomes mais representativos dessa arte e o responsável por mais de uma centena de ilustrações em livros e folhetos de cordel.
          Como não poderia deixar de ser, Leandro Gomes de Barros, considerado por muitos o pioneiro deste gênero, abre o livro com o cordel “O soldado jogador”. Também estão presentes na Antologia do cordel brasileiro histórias de José Pacheco, Manoel D’Almeida Filho, Antônio Teodoro dos Santos, Francisco Sales Arêda e Manoel Pereira Sobrinho. A força da atual geração de cordelistas é verificada nos textos de Pedro Monteiro,  Rouxinol do Rinaré, Arievaldo Viana, Evaristo Geraldo da Silva e Klévisson Viana, entre outros.
Nesta obra, o leitor terá acesso a um conjunto variado de cordéis, desde aqueles inspirados no conto maravilhoso, ou conto de fadas, como outros em que predominam mitos da Grécia Antiga e até alguns que deitam raízes nas histórias de animais.
Marco Haurélio chama a atenção do leitor para a importância desta antologia por ser a primeira a apresentar autores de todas as gerações do cordel no Brasil: “Os poetas contemporâneos, em especial, quase sempre são deixados de lado pelos estudiosos, que se embaraçam na busca pelas origens do cordel, ou se perdem no labirinto de obviedades dos que confundem este gênero com a poesia matuta ou com o canto improvisado dos repentistas”.
Diferente do que muitos pensam, a literatura de cordel está cada vez mais viva e, nos últimos anos, tem ultrapassado a fronteira dos folhetos e dos livros. Prova disso é a sua presença marcante em diferentes manifestações artísticas. Em 2011, a telenovela Cordel Encantado, veiculada pela Rede Globo, obteve índices consideráveis de audiência. Neste ano de 2012, no Carnaval do Rio de Janeiro, a tradicional escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, representada pelas cores vermelho e branco, levará à Marquês de Sapucaí o tema “Cordel Branco e Encarnado”.
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Sobre o organizador: Marco Haurélio, poeta popular baiano, professor, folclorista e editor, é um dos nomes de maior destaque na literatura de cordel da atualidade. Ministra oficinas e palestras sobre cordel e cultura popular em todo o Brasil. É autor de vários livros para adultos e crianças. Pela Global Editora, publicou Meus romances de cordel, uma coletânea de suas melhores composições.

Um século de Gonzagão

Livro Vida e Obra de GonzagãoMuitos livros já foram escritos sobre Luiz Gonzaga. Na literatura de cordel, então, é impossível precisar a quantidade de folhetos que enfocam o Rei do Baião. É a personalidade musical mais biografada, ao lado de Roberto Carlos e Raul Seixas. Antecipando as comemorações do centenário de nascimento deste grande artista pernambucano, a Ensinamento Editora, de Brasília-DF, acaba de lançar Vida e Obra de Gonzagão, assinado por Cacá Lopes, que passou quase uma década gerando as quase 400 estrofes escritas em seis versos. Desde o nascimento na fazenda Caiçara, município de Exu, no sertão de Pernambuco, até a morte no Recife, passando pelas influências de dezenas de artistas brasileiros e homenagens póstumas, a impressionante trajetória do Rei do Baião ganha seu mais completo registro em cordel.










A responsabilidade de Cacá Lopes é grande, portanto, é enorme. E ele não se fez de rogado. Muitas são as estrofes dignas de nota, mas esta, que trata do batismo do pequeno Luiz, chama a atenção pela palavra pagão, comprobatória do envolvimento do autor com o tema:

Os padrinhos do menino
Também são da região,
O Sr. João Moreira
E Dona Neném, que não
Mediram esforços, Luiz
Deixava de ser pagão.

Pagão é o menino não batizado, segundo a doutrina católica. Outro costume, herdado de Portugal, o de batizar a pessoa com o nome o Sato festejado no dia do nascimento, não foi esquecido por Cacá Lopes:

O nome Luiz Gonzaga
Do Nascimento foi dado,
Na igreja de Exu
O bebê foi batizado
Dia 5 de janeiro
Gonzaga foi consagrado.

O Nascimento, sugestão do padre José Fernandes, deve-se ao fato de o menino ter nascido em dezembro, mês do Natal. O Luiz é uma homenagem à Santa Luzia, festejada a 13 de dezembro, data em que Gonzaga veio ao mundo.

Sobre o Autor

José Edivaldo Lopes, em arte Cacá Lopes, nasceu 24 dia agosto de 1962, no sitio lagoa da onça, há 14 km de Araripina-PE, no sopé da serra do Araripe.  Iniciou sua trajetória artística na Rádio Grande Serra AM em sua terra natal, quando lançou seu 1º disco. Radicado em São Paulo desde 1984, mantém uma carreira consolidada como cantor, compositor e instrumentista, com 6 CDs lançados e várias coletâneas. Como cordelista, é autor de vários folhetos de poesia popular(Luzeiro editora) e adaptou para o cordel o clássico infantil Cinderela, de Charles Perrault.(Ed. Claridade) Percorre escolas e universidades há 18 anos com o espetáculo Música e Cordel nas Escolas, assistido por aproximadamente um milhão de alunos e educadores da rede pública municipal e estadual de São Paulo. É também um dos integrantes do movimento Caravana do Cordel.

Ficha Técnica

Vida e Obra de Gonzagão – O mais completo cordel ilustrado sobre Luiz Gonzaga    

Autor: Cacá Lopes
Editora: Ensinamento
Prefácio: Marco Haurélio
Texto: Assis Ângelo
Capa: Valdério Costa
Ilustrações: Maércio Lopes/Valdério Costa
Nº de páginas: 191
ISBN: 9788562410932
Preço: R$ 32,00












Xilogravura representa a cultura do Nordeste em jogo de ação 2D

O jogo Xilo é uma homenagem a cultura e folclore do Nordeste brasileiro.

Com história e direção de arte do Prof. Rodrigo Motta e desenvolvimento dos alunos Diego Galiza, José Trigueiro e André Torres, conta a divertida e emocionante historia do sertanejo Biliu, que para salvar sua família de uma grave doença precisa recolher partes das xilogravuras sagradas, enfrentando desafios e lendas brasileiras, como a Mula-sem-cabeça, o Curupira, Boitatá, entre outros.

Trata-se de um jogo de ação 2D que se destaca pela sua estética, inspirada em xilogravuras, assim como no uso de rimas de cordel para contar a história, tudo embalado pela trilha sonora da banda Cabruêra. Este vídeo foi feito para o SBGames 2011.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=YQxEKArGMWo[/youtube]